Epifania

Por Pe Antonio Francisco Lelo

A solene festa da Epifania, uma das cinco grandes festas do ano litúrgico armênio, celebrada em toda a Igreja no dia 6 de janeiro, comemora a manifestação do Filho de Deus ao mundo. Na plenitude dos tempos (Gl 4,4), o Verbo que estava em Deus, que é Deus, se encarna em Maria, assume a natureza humana e faz-se um de nós, para agora, em pessoa, e não mais por meio de anjos, patriarcas e profetas, preparar o povo de Deus para a nova Realidade.

No Oriente, a Epifania, do grego “revelação”, comemora o mistério da divindade do Senhor manifestada antes de seu ministério público: no seu nascimento, na visita dos magos, no seu batismo no rio Jordão e na transformação da água em vinho em Caná da Galileia. O Pai, reconhecendo a ferida que o pecado causou na humanidade, amou tanto o mundo que enviou seu único Filho para salvá-la (cf. Jo 3,16). A vinda de Jesus entre nós, ou seja, o mistério da sua encarnação já é o primeiro passo para a realização de sua Páscoa.

No batismo de Jesus (Mt 3,13-17), o Pai apresenta o seu Filho amado que cumprirá a missão do servo sofredor previsto pelo profeta Isaías (42,1-4), capaz de atrair sobre si todas as dores da humanidade, pois desabará sobre ele a força destruidora do pecado do mundo. O Filho de Deus se despoja de sua igualdade com o Pai e, solidariamente, assume a natureza humana, sendo igual a nós em tudo, menos no pecado.

Em Roma e, consequentemente, em todo o rito romano se celebra este mistério destacando mais o nascimento de Jesus. A solenidade do Natal, no dia 25 de dezembro, está ligada ao plenilúnio de inverno do hemisfério norte, dia em que o sol vence as trevas, ou seja, chega-se à noite mais longa do ano e daí em diante os dias voltam a crescer novamente. No início do cristianismo, os romanos festejavam o “sol invictus”.

Como toda festa, a Epifania tem seu período de preparação que varia, no calendário armênio, em torno de oito semanas, chamado quinquagésima, e a comemoração da festa, o tempo da Epifania, se estende por mais seis semanas.

Por meio do evangelho de são Lucas, na missa dos oito domingos antecedentes, por si, traçam um caminho de preparação para a grande teofania de Jesus (manifestação divina) em nossa carne.

Este caminho preparatório combina bem com esta época do ano civil, em que encerramos nossas atividades e nos planejamos para o ano seguinte. É tempo não somente de fazer o balanço de nossa conta bancária, mas de, principalmente, à luz da manifestação do Senhor, nos perguntarmos se, de fato, estamos sendo fiéis ao projeto do Reino, de amar mais, ser solidários, mais prestativos e cada vez menos egoístas e vaidosos.

A Comunidade cristã armênia deve ser um marco importante no exercício deste discernimento como lugar de acolhida e testemunho da divindade e humanidade de Jesus Cristo em sua Palavra e nos irmãos. Não tenhamos receio de eleger em primeiro lugar o prazer de celebrar a liturgia da Santa Missa e nos deixar transformar pela Palavra libertadora do Senhor.